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Reitor da UAlg faz balanço de compromissos assumidos com resultados “positivos e encorajadores”

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Mais estudantes e diplomados, com boa integração no mercado de trabalho; maiores níveis de internacionalização, no ensino e na investigação; mais alojamento para estudantes; melhores instalações, nomeadamente equipamentos; são alguns dos compromissos assumidos pelo reitor Paulo Águas na mesma cerimónia, em 2021, que, na sua opinião, apresentam atualmente resultados “francamente positivos e encorajadores.”

Na sessão solene do 43º aniversário da UAlg, que se realizou no dia 14 de dezembro, pelas 16h30, no Grande Auditório Caixa Geral de Depósitos, no Campus de Gambelas, Paulo Águas centrou o seu discurso nos oito compromissos que havia assumido para 2025. Em relação ao primeiro compromisso, “Mais estudantes e diplomados, com boa integração no mercado de trabalho”, salientou o aumento do número de estudantes pelo sexto ano consecutivo. “Em termos acumulados, desde 2015/16, o crescimento é de 31%, comparativamente aos 17% verificados a nível nacional.” Para ilustrar o segundo compromisso, “Maior orçamento para a investigação”, frisou que, até novembro de 2022, as receitas de investigação ultrapassam em 40% o valor registado em 2021. “Este expressivo crescimento é explicado pelas três bolsas do European Research Council obtidas por investigadores do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB), com um financiamento total de 6,5 milhões de euros, para um período de 4 anos”, explicou.

No que diz respeito ao terceiro compromisso, “Maiores níveis de internacionalização, no ensino e na investigação”, referiu-se ao facto de em 2021/22 a percentagem de estudantes de nacionalidade estrangeira ter voltado a aumentar, fixando-se em 20,7%, 4,5 pontos percentuais acima da média nacional, tendo sido alcançado um novo máximo de estudantes de nacionalidade estrangeira: 1.988, ou seja,7% superior ao anterior máximo ocorrido em 2019/20. No quarto compromisso, “Mais alojamento para estudantes”, Paulo Águas lembrou que “no passado mês de setembro foram assinados oito contratos programa de financiamento no âmbito do programa nacional de alojamento para o ensino superior apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR): seis relativos à renovação de residências; dois relativos à construção de novas residências: uma no Campus da Penha, com 125 camas, e outra no Campus de Gambelas, com 162. O montante de financiamento obtido ascende a 13,7 milhões de euros”.

No quinto compromisso, “Melhores instalações, nomeadamente equipamentos”, salientou os programas Impulso Jovem Steam e Impulso Adulto, igualmente apoiados pelo PRR, que possibilitaram a aquisição de equipamentos, maioritariamente digitais, para atividades de ensino, no valor de 900 mil euros. Lembrou igualmente o início dos trabalhos preparatórios para a construção de uma nave para as Artes no campus de Gambelas, e a assinatura de um memorando de entendimento com o Município de Portimão e a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Algarve para a construção do campus universitário de Portimão. No sexto compromisso, “Melhores serviços”, referiu-se ao facto de, em 2022, pela 1.ª vez, ter sido feita a avaliação da percepção da satisfação interna com os serviços. “Os resultados obtidos mostram que, globalmente, as percepções são positivas.”

No sétimo compromisso, “Progressão nas carreiras e rejuvenescimento do pessoal docente”, “foi dada continuidade ao desenvolvimento de carreiras iniciado em 2018, tendo sido autorizados, em 2022, 40 concursos para categorias intermédias e de topo. Foram abertos 35 concursos e concluídos 24”.  A terminar o balanço do ano civil, o reitor focou-se no oitavo compromisso, “Solidez financeira, indispensável para o cumprimento da nossa missão”, esperando em 2022, continuar a registar um resultado líquido do exercício positivo, o que vem acontecendo desde 2018. “Esperamos fechar o ano com uma receita superior aos 62 milhões de euros de 2021 e com uma despesa também superior aos 59,5 milhões de euros do ano passado.”

Entre muitos outros objetivos, para o ano letivo 2022/23, Paulo Águas quer continuar a aumentar o número de estudantes, sendo previsível que se possa ultrapassar os 9500, com mais de 2000 de nacionalidade estrangeira. “Pretendemos dar continuidade ao crescimento em 2023/24, embora seja provável que ocorra de uma forma menos expressiva.” A oferta de cursos técnicos superiores profissionais em 2023/24 será alargada à Escola Superior de Saúde. “Procuraremos aumentar o recrutamento de estudantes internacionais para os cursos de formação inicial por via da prova de acesso realizada pela UAlg, sendo provável que se possa assistir a uma redução do número de candidatos ao concurso nacional de acesso, ditada pela evolução demográfica.”

Nova etapa com nova pró-reitora: Aliança das Universidades Europeias do Mar

Também na área da internacionalização, a UAlg iniciará uma nova etapa, com a entrada formal, a partir de 1 janeiro, na Aliança das Universidades Europeias do Mar, um projeto com financiamento a 4 anos. “Parece-nos claro que se trata da iniciativa da Comissão Europeia que maior impacto terá na competitividade, à escala global, do espaço europeu do ensino superior.” Atualmente encontram-se ativas 44 alianças, envolvendo 340 IES, e até meados de 2024 serão 60 alianças, envolvendo 500 IES. Contudo, só uma minoria das IES europeias terá possibilidade de participar nesta iniciativa e a UAlg faz parte desse grupo. Prova de que o empenho e compromisso da UAlg nesta Aliança são totais, foi a tomada de posse de uma nova pró-reitora, Patrícia Pinto, docente da Faculdade de Economia, que assumirá a pasta da Aliança das Universidades Europeias.

Ana Jorge, na sua intervenção enquanto presidente do Conselho Geral da UAlg, salientou que, entre outros predicados, aos 43 anos de vida a Universidade do Algarve goza de um sólido prestígio nacional e internacional, que advém do compromisso que assumiu desde o primeiro momento, em que, com rigor e inovação, contribuiu para o desenvolvimento da região e do País. “É um privilégio assumir a presidência do Conselho Geral e poder contribuir e assistir na primeira fila ao enorme dinamismo de toda a Universidade e das diferentes Unidades Orgânicas”, destacou Ana Jorge. Fruto de um trabalho sustentado que fez desde o primeiro momento, a UAlg encontra-se agora numa “fase de ouro”. Para Ana Jorge, “se dúvidas existissem, a forte relação que conseguiu consolidar com o setor empresarial do Algarve e do País é uma prova irrefutável e particularmente evidente, porque são vários os empresários, alguns antigos alunos, que, com um dinamismo extraordinário, integram o Conselho Geral”.

Em representação dos funcionários não docentes, Sofia Nunes enumerou algumas das preocupações que afetam esta classe, como o facto de nos últimos anos os funcionários terem diminuído e a Universidade ter crescido (em número de alunos). Sofia Nunes referiu-se ainda ao Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública (SIADAP), que tanto restringe nas quotas, e deixou um pedido “peço que a Universidade se debruce, com um olhar atento, sobre este aspeto tão importante para nós…uma vez que este é, atualmente, o único reconhecimento do nosso mérito”.

Fábio Zacarias, presidente da Associação Académica, em representação dos estudantes, lembrou o papel e o impacto que a Universidade do Algarve tem na região, “seja nos contributos que são dados ao nível da Ciência e Investigação, ou através das centenas de quadros qualificados que são alocados anualmente nas entidades algarvias”. O presidente da Associação Académica pediu “serviço e vontade” à comunidade académica, e aos de fora do meio académico “respeito pelo contributo que é dado, respeito pelos estudantes e corpo académico que contribuem e muito para a circulação económica e social da região mais a Sul do País”.

Em representação dos docentes, parafraseando Hipócrates, Clévio Nóbrega referiu que “existem duas coisas distintas, ciência e opinião; a primeira gera conhecimento, a segunda, ignorância. Como tal, a UAlg não pode apenas transmitir conhecimento; isso é tarefa para o ensino não superior. A UAlg e as universidades têm também de criar conhecimento e, para isso, tem de existir uma aposta clara na investigação, com mecanismos que premeiem de forma inovadora e ambiciosa o desempenho dos docentes e investigadores”.

Prémio Manuel Gomes Guerreiro e Prémio Investigador UAlg

Um dos pontos altos da cerimónia foi a entrega do Prémio Manuel Gomes Guerreiro, que conta com o apoio dos Municípios de Faro e Loulé, atribuído a Graça Maria dos Santos Palma e Susana Calado Martins, pela obra “RED BOOK, Lista Vermelha das Atividades Artesanais Algarvias”.

Pela primeira vez, foi também entregue o Prémio Investigador UAlg, atribuído a Ana Margarida Moutinho Grenha, que se traduz numa dotação no valor de 5 mil euros.  Ana Grenha é líder do Drug Delivery Laboratory do CCMAR-UAlg, que se dedica ao desenvolvimento de sistemas de veiculação (transportadores) de fármacos, com foco particular na via inalatória (pulmonar), tendo também interesse em explorar o potencial dos materiais de origem natural, nomeadamente polissacáridos, em busca de novas aplicações terapêuticas. O grupo trabalha numa área de elevado impacto na sociedade, tendo proposto aplicações terapêuticas na área das infeções respiratórias, de que é exemplo a tuberculose, e recentemente iniciou uma linha relacionada com a vacinação por via pulmonar. Para Ana Grenha “é com grande honra que o grupo recebe este prémio, que considera um reconhecimento pelo trabalho que tem vindo a realizar na UAlg e no CCMAR, sempre com os olhos postos na inovação e na melhoria das soluções terapêuticas, afinal, o lema maior da área farmacêutica”.

Durante a cerimónia foram ainda entregues as medalhas da Universidade aos funcionários que completam 25 anos de serviço, e, com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, o Prémio Universidade do Algarve aos diplomados com mérito no ano letivo de 2020/21.