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José D’Encarnação e Fernando Santos Pessoa são os novos doutores Honoris Causa da UAlg

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A Universidade do Algarve (UAlg) distinguiu o arqueólogo José D’Encarnação e o arquiteto paisagista Fernando Santos Pessoa com o título de Doutor Honoris Causa, numa cerimónia solene realizada a 17 de abril, no Grande Auditório da Caixa Geral de Depósitos, no Campus de Gambelas.

Na sessão de abertura, a reitora da UAlg, Alexandra Teodósio, começou por dar as boas-vindas a todos os presentes, referindo que naquela cerimónia seriam reconhecidos “dois percursos de excecional mérito” de “duas personalidades cujo legado honra o conhecimento, a cultura, o território, o ambiente e o serviço ao bem comum”. A reitora referiu, ainda, o simbolismo da sessão, por se realizar um dia antes do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que, em 2026, tem atribuído o tema “Património vivo: resposta de emergência em contextos de conflitos e desastres”.

Sublinhando que os percursos dos dois homenageados são distintos, mas se convergem de “modo particularmente expressivo”, Alexandra Teodósio mencionou que ao atribuir o título Honoris Causa ao arqueólogo José D’Encarnação se celebra “uma dedicação exemplar à memória, à história, à epigrafia, à arqueologia e ao património cultural”. Já sobre Fernando Santos Pessoa, a Reitora salientou a sua “dedicação igualmente exemplar ao território, à paisagem, ao ambiente e à construção de uma visão integrada e responsável do espaço que habitamos”.

Na sua laudatio, João Pedro Bernardes, docente da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (FCHS) da UAlg, enfatizou a honra que sentia em apadrinhar o seu “professor e mestre”, José D’Encarnação, na atribuição do título de doutor Honoris Causa, não só por este ser um “homem de Ciência”, mas por ser “um verdadeiro pedagogo da ciência epigráfica, que, como poucos, soube transformar em coisas simples, acessíveis à compreensão de todos, o que, pelo seu hermetismo e especialidade, a priori, se poderia pensar destinado apenas a alguns”.

João Pedro Bernardes debruçou-se brevemente sobre a biografia do homenageado e evidenciou o seu extenso percurso vitae como arqueólogo e professor, com mais de 1000 títulos publicados, destacando o papel como impulsionador dos estudos epigráficos em Portugal.  “Para além de um nome numa pedra, José D’Encarnação vê gente, ambientes vividos e, fazendo uso da sua formação jornalística, apresenta-nos pessoas e imagens de um passado longínquo, tornando-as muito próximas”, proferiu.

No seu discurso, José D’Encarnação levou os convidados a conhecer o barrocal algarvio, de onde é originário, através dos diversos elementos do património, começando pela poesia. “Barrocalense me confesso. Dum Barrocal onde, segundo parece, do nascer ao pôr do sol, os versos sempre nasceram espontâneos”, afirmou.

Depois, e evidenciando que todos os elementos estão dependentes uns dos outros, falou sobre a língua, o falar algarvio, a música tradicional, a culinária, a paisagem e, claro, o património arqueológico. A este último referiu-se como “aliciante turístico, sim, mas sobretudo veículo de imorredoira memória”, destacando alguns dos achados arqueológicos algarvios, como é o caso das ruínas de Milreu, em Estoi, o mosaico do Oceano, que foi descoberto em Faro há alguns anos, e a cidade de Balsa, em Tavira.

Após um momento musical, que esteve a cargo do acordeonista Nelson Conceição, deu-se início à atribuição do doutoramento Honoris Causa a Fernando Santos Pessoa, começando pela laudatio de João Guerreiro, antigo reitor da UAlg, que o apadrinhou.

Na sua intervenção, João Guerreiro começou por mencionar as mais de seis décadas em que Fernando Santos Pessoa se tem dedicado a “percorrer os caminhos diversos de regiões, sempre com uma especial atenção aos recursos naturais, à paisagem e aos modelos de organização desses espaços, apreciando a forma como o Homem deixa a sua marca nesses ambientes”, destacando a sua capacidade e resistência, “a que se alia um ímpeto que abrange uma enorme curiosidade, uma profunda reflexão e um fácil relacionamento social”.

Sobre o percurso académico e profissional de Fernando Santos Pessoa, João Guerreiro elencou as diversas funções que este exerceu enquanto silvicultor e arquiteto paisagista, nomeadamente o seu papel como presidente do Serviço Nacional de Parques, Reservas e Património, na década de 1970, época em que, com o seu apoio, foram criados vários parques e reservas naturais em Portugal. O antigo reitor revelou, ainda, que foi graças a uma conversa informal entre Fernando Santos Pessoa e Fausto Nascimento, que a até então Ria de Faro, se passou a designar de Ria Formosa. João Guerreiro referiu ainda a importância que o homenageado teve na criação das licenciaturas em Arquitetura Paisagista, inclusive na Universidade do Algarve, o que contribuiu para o impulso da profissão, “disseminando uma outra maneira de analisar e intervir no ordenamento do território”.

Por último, foi a vez de Fernando Santos Pessoa usar da palavra, proferindo uma verdadeira lição sobre arquitetura paisagista. O homenageado falou da profissão, que é “tão antiga como a sedentarização do Homem”, relembrando que “o arquiteto paisagista não é apenas um jardineiro diplomado, a sua intervenção implica a utilização dos instrumentos essenciais para que o território funcione equilibrado e que são a essência do Ordenamento Paisagístico.”

Tendo por base conceitos como o território e a paisagem, e as três componentes que, na sua opinião, “se impõem quando o Homem intervém num dado território: a Natureza, o espaço e o tempo”, Fernando Santos Pessoa dissertou sobre a importância da arquitetura paisagista para a sociedade, concluindo com um apelo à valorização da profissão e à dignidade das novas gerações: “sejamos sempre dignos dos colegas que abriram o nosso caminho e que começaram a fazer da arquitetura paisagista a ferramenta essencial para um futuro equilibrado da nossa terra.”

Recorde-se que a proposta de atribuição do título doutor Honoris Causa na área de Estudos do Património a José D’Encarnação partiu da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (FCHS). Já a de Fernando Santos Pessoa, em Ciências do Mar, da Terra e do Ambiente, na especialidade de Ciências e Tecnologias do Ambiente, foi proposta pela Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT).

Pode visualizar toda esta cerimónia aqui.