O Cineclube de Faro apresenta em janeiro a sua programação cinematográfica com cinco sessões marcadas para as noites de 8, 15, 22 e 29, todas às 21h30 no IPDJ de Faro. A seleção inclui estreias recentes de realizadores internacionais e portugueses, marcada por temas sociais, políticos e pessoais.
No dia 8, é exibido “Foi Só Um Acidente”, do realizador iraniano Jafar Panahi, filme rodado ilegalmente e produzido entre o Irão, França, Luxemburgo e Estados Unidos. Com 104 minutos, classificado para maiores de 14 anos, a longa-metragem denuncia a repressão teocrática no regime iraniano, inspirando-se nas experiências pessoais do cineasta, que esteve preso e interditado de sair do país durante 15 anos. Após receber a Palma de Ouro em Cannes, Panahi estreou o filme que representa um ataque potente ao regime dos aiatolás.
No dia 15, o público pode assistir a “O Agente Secreto”, co-produção do Brasil e França, dirigida por Kleber Mendonça Filho. O filme de 160 minutos, para maiores de 14 anos, situa-se no Brasil de 1977, acompanhando Marcelo, um especialista em tecnologia na casa dos 40 anos, que chega a Recife durante o carnaval e percebe rapidamente que a cidade não é o refúgio pacífico que procura enquanto foge de uma ameaça não especificada.
Dia 22 traz “O Riso e a Faca”, do realizador português Pedro Pinho, uma produção conjunta entre Portugal, Brasil, França e Roménia. Com uma duração de 211 minutos e recomendado maiores de 16 anos, acompanha Sérgio, um engenheiro ambiental que viaja para uma metrópole da África Ocidental onde trabalha numa ONG e se envolve numa relação complexa com dois habitantes locais, explorando as dinâmicas neocoloniais e a solidão emocional do protagonista. O filme foi premiado em Cannes com o prémio de melhor atriz para Cleo Diára antes da sua estreia comercial.
No último dia do mês, 29 de janeiro, será apresentada a longa-metragem “Jovens Mães”, dos realizadores belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne. Com 106 minutos e classificação M/12, o filme acompanha cinco adolescentes – Jessica, Perla, Julie, Ariane e Naïma – que vivem numa casa de acolhimento enquanto cuidam dos seus bebés e lutam por um futuro melhor. A obra é reconhecida como uma observação social genuína, com críticas que destacam a intensidade, a verdade humana e a capacidade dos realizadores em extrair performances notáveis de jovens atrizes.
Esta programação do CCF oferece um panorama diversificado de cinema contemporâneo, destacando-se por um olhar crítico sobre questões políticas, sociais e identitárias no contexto global e lusófono.